E aí minha mãe me contou do retiro em que esteve. Visita sagrada, Lama Gandchen no Brasil. Estive com ele, dez anos atrás. Não sou budista. Mas na ocasião fiquei tocada.Pois bem. No retiro, ele disse a todos, dentre outras coisas, para que orassem pelos animais. Pois eles tem bondade e amor infinitos, mas vivem com muito muito medo.
A fala dele, através de minha mãe, mexeu muito comigo. Tenho um gato meu, e um emprestado, (longa história), e vejo o tempo todo o olhar de terror em seus olhos ao menor ruído ou vibração. Estão sempre alertas. Quer dizer, quase sempre. Quando dormem, claro, menos...
Mas a observação do lama me fez perceber que em verdade existem muitas pessoas que vivem sob o signo do medo - como o meu gato.
E a história toda acabou me fazendo lembrar de um livro, talvez o mais importante da minha infância, cujas reflexões filosóficas eram tão profundas que passei anos tentando decifrá-las.
O livro, de Paulo Leminsky, chama "Guerra Dentro da Gente" e conta a história do menino Baita, que sai pelo mundo para aprender a arte da guerra.
Em certa altura de sua aventura ele tem de trabalhar num circo, alimentando Tigres e Elefantes. Perspicaz, Baita começa a criar um tratado sobre os bichos. Chega a conclusão de que os elefantes são tranquilos porque não tem medo - tem certeza de seu tamanho e poder. E que os tigres são bravos porque são muito assustados - e estão sempre em alerta.
Baita era mesmo um filósofo. E à certa altura se dá conta de que os homens agem exatamente como os animais.
É, talvez a literatura e o budismo tenham armas brancas e poderosa para lutarmos no dia a dia da educação audiovisual.
Basta lembrar que por trás de um aluno raivoso existe, em geral, uma criança com muito medo.
[sejamos visionários....!]
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